quarta-feira, dezembro 07, 2011

Falta-lhe mística

O termo é muito usado no mundo da bola. Na verdade é usado a torto e a direito, sem que se perceba bem o que quer dizer. Por isso, parece-me ser o termo adequado para falar do meu carro moderninho e catita. Falta-lhe mística. Olho para ele e é como se visse um dos novos estádios portugueses. Nenhum deles tem história ou carga dramática. Podem dizer-me: é apenas um carro. Sim, é verdade. Mas o meu boguinhas tinha história. Histórias. Acompanhou-me nos altos e baixos da vida. Partilhámos gargalhadas e lágrimas. Assistiu aos meus amores e desamores. Sei que tinha de separar-me dele, mas essa ideia não afasta a saudade.

(Continuo sem atinar com o facto de ter um carro que fala. Por isso, não uso os comandos por voz, mas a «gaja», com sotaque ucraniano e um tom irritante, lá se mete comigo sempre que pode. Ah queres programar o bluetooth do telemóvel? «Digite o número, bla, bla, bla.» MEDO!)

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