Não acredito que nunca tenham sonhado com um romance a dar para o hollywoodesco. Nem que seja por uma vez na vida, qualquer mulher deseja viver uma daquelas histórias que aperta o peito com aquele tipo que a deixa sem respiração. Felizmente vivi episódios que me suscitaram esses sentimentos - embora alguns dos enredos fossem mais a dar para a novela mexicana. Também podia usar a palavra infelizmente porque sei que, em algumas alturas da minha vida, estive quase lá. Quase tive, ou achei que poderia ter, o meu «happy ending». Mas faltou sempre algo. Falta. Mas também pode ser porque estou sempre insatisfeita com o que tenho. Ou porque os sonhos são isso mesmo, sonhos. Um dia amadurecemos. Ou será que ficamos apenas cinzentos e acomodados? Não sei bem o que é. Sei que passamos a uma outra fase. Eu passei. Tudo se tornou mais tranquilo e seguro. Por isso, às vezes, penso nas alturas em que sentia os meus alicerces estremecer e a minha estrutura ameaçava ruir, perante emoções que estava longe de controlar. Eu, que sempre odiei não controlar fosse o que fosse, adorava pular sobre a corda bamba e sonhar que a realidade até pode ser parecida com uma daquelas comédias românticas de domingo à tarde. Mas já não sinto as dores da privação de aventura e paixão. Quando lhe tomamos o gosto e deixamos de tê-las vêm os sintomas de carência, a ressaca. É duro. Mas melhora. Estar apaixonado não é foleiro. Deixarmo-nos levar pelas emoções pode ser divinamente delicioso. Sentirmo-nos encurralados pelo desejo e a paixão pode ser perigosamente viciante. Mas isso é... viver. Parece-me triste quando as pessoas se resignam antes de tempo e acorrentam as emoções. Não percebo que se tenha calma na paixão ou que se pense demasiado. Um dia a paixão passa e a razão comanda as nossas acções. Até lá, por que não aproveitar para viver um romance a dar para o hollywoodesco? Ou pelo menos tentar.
[O meu lado racional levou-me a concluir que ninguém vive romances hollywoodescos na sua plenitude. O perfeito «happy ending» não existe. Tenho grande dificuldade em acreditar em histórias de amor pleno e sem defeitos. Isso implicaria que as pessoas envolvidas vivessem num estado de eterna perfeição e todos nós sabemos que isso é impossível. Acredito que as pessoas vivem o que querem acreditar ser real. Mas, como já testemunhei, nunca é. A negação «is a bitch». Ou não.]
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